Participar até ao voto<br>Defender a Constituição
Reza a fábula (já por vezes referida nestas páginas) que a raposa, cheia de fome, por mais que saltasse, não conseguia atingir o cacho de uvas que sorria para ela. Perante a sua incapacidade, abandonou o local dizendo «deixa lá, estão verdes, não prestam». Esta fábula aplica-se na perfeição às eleições em curso e à teorização, que os teorizadores pretendem que valha também para o futuro, sobre um novo modelo de campanha eleitoral, sobre as suas vantagens e sobre a desadequação, nos tempos modernos, das campanhas tradicionais.
Só a candidatura de Edgar Silva defende os valores de Abril
No fundo, tudo se resume à ideia de que de agora em diante essas coisas das campanhas de massas, envolvendo a militância política e partidária não valem a pena, não fazem sentido, que isso de cartazes e outros materiais de propaganda são coisas que apenas têm custos, tanto mais incompreensíveis quanto mais difíceis são as condições de vida dos trabalhadores e do povo. Sobre esta matéria, que se insere nos seus velhos objectivos de menorização e desvalorização da política, haverá que fazer três anotações.
A primeira para sublinhar que aos candidatos e às candidaturas está conferido não apenas o direito mas também o dever de informar a população sobre como se propõem exercer os seus mandatos, que projectos têm, que valores defendem. É sobre isso que as pessoas vão votar. O que está em causa são os caminhos a seguir e é por isso indispensável que se saiba o que cada candidato ou cada força pensa e defende.
Mas para isso é preciso, por um lado, ter um projecto que corresponda aos interesses dos trabalhadores e do povo, ter propostas que não seja necessário esconder. Bastará lembrar que se PSD/CDS tivessem dito ao povo português quais eram os seus reais objectivos nas eleições de 2011 seguramente não teriam os votos que acabaram por ter. E que Marcelo Rebelo de Sousa (mas não só!) gasta uma boa parte dos seus esforços a esconder as suas verdadeiras intenções. E não deixa de ser curioso que os que criam tais dificuldades ao povo, ao mesmo tempo que entregaram de mão beijada rios de dinheiro aos grandes grupos económicos, critiquem agora os que se empenham em derrotá-los, pelos gastos que fazem.
Por outro lado, para cumprir esse dever é necessário ter meios humanos e materiais. Esta é uma condição essencial particularmente para um Partido como o nosso, que tem milhares de homens e mulheres disponíveis para assumir a afirmação e a defesa do seu projecto.
A segunda é que se percebe que o grande capital deseje que estes exemplos de participação popular sejam esbatidos ao máximo, potenciando o amorfismo e a resignação, e vincando a ideia de que a participação se deve resumir ao momento do voto. Nunca desistirão de criar dificuldades a tudo o que lhes cheire a envolvimento popular; não suportam que operários, agricultores, professores, empregados do comércio, queiram ser, possam ser, obreiros dos seus destinos. Até porque, em primeiro lugar, querem ser eles a definir, nos seus directórios, e a impor, por via dos grandes órgãos de comunicação social (que detêm e influenciam), quem devem ser, em cada momento, os eleitos para os representarem nos diversos órgãos de poder.
Alargar o envolvimento
A terceira anotação é para, face à escassez de mobilização de alguns dos candidatos a estas eleições, manifestar piedosa compreensão para que eles desdenhem das acções de massas. Compreensão que se avoluma perante a força e a confiança que emana das acções realizadas pela nossa candidatura, a candidatura de Edgar Silva.
Situemo-nos apenas nos grandes comícios dos dois domingos de campanha, as maiores iniciativas realizadas nestas eleições. Comentadores afectos a Marcelo e outros defensores encartados da política de direita podem fazer de conta que não vêem os milhares de homens e mulheres que naquelas duas grandiosas iniciativas se juntaram para apoiar Edgar Silva e que são apenas a montra dos muitos que, todos os dias, nas empresas, nas praças, nas feiras, nas ruas, nas escolas de Norte a Sul do País, se empenham na defesa do seu candidato e do projecto que ele personifica.
Para eles, as uvas estão verdes. Para nós, estes dias que faltam até às eleições serão de grande azáfama no contacto com os trabalhadores e o povo. E, ao arrepio das teorias e dos teorizadores, vamos até o momento do voto alargar este movimento de envolvimento e participação popular, vamos garantir que, pela sua acção e pela sua vontade, e não apenas pelo seu voto, cada homem, cada mulher conta para mudar os destinos do seu país.
O Presidente da República jurará defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, a mesma que considera como tarefa fundamental do Estado «defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais», num quadro em que «todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do País». Só mesmo nós, só a candidatura de Edgar Silva, estamos em condições de, pela prática, a defender e afirmar os valores de Abril.