Participar até ao voto<br>Defender a Constituição

João Frazão (Membro da Comissão Política)

Reza a fá­bula (já por vezes re­fe­rida nestas pá­ginas) que a ra­posa, cheia de fome, por mais que sal­tasse, não con­se­guia atingir o cacho de uvas que sorria para ela. Pe­rante a sua in­ca­pa­ci­dade, aban­donou o local di­zendo «deixa lá, estão verdes, não prestam». Esta fá­bula aplica-se na per­feição às elei­ções em curso e à te­o­ri­zação, que os te­o­ri­za­dores pre­tendem que valha também para o fu­turo, sobre um novo mo­delo de cam­panha elei­toral, sobre as suas van­ta­gens e sobre a de­sa­de­quação, nos tempos mo­dernos, das cam­pa­nhas tra­di­ci­o­nais.

Só a can­di­da­tura de Edgar Silva de­fende os va­lores de Abril

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No fundo, tudo se re­sume à ideia de que de agora em di­ante essas coisas das cam­pa­nhas de massas, en­vol­vendo a mi­li­tância po­lí­tica e par­ti­dária não valem a pena, não fazem sen­tido, que isso de car­tazes e ou­tros ma­te­riais de pro­pa­ganda são coisas que apenas têm custos, tanto mais in­com­pre­en­sí­veis quanto mais di­fí­ceis são as con­di­ções de vida dos tra­ba­lha­dores e do povo. Sobre esta ma­téria, que se in­sere nos seus ve­lhos ob­jec­tivos de me­no­ri­zação e des­va­lo­ri­zação da po­lí­tica, ha­verá que fazer três ano­ta­ções.

A pri­meira para su­bli­nhar que aos can­di­datos e às can­di­da­turas está con­fe­rido não apenas o di­reito mas também o dever de in­formar a po­pu­lação sobre como se pro­põem exercer os seus man­datos, que pro­jectos têm, que va­lores de­fendem. É sobre isso que as pes­soas vão votar. O que está em causa são os ca­mi­nhos a se­guir e é por isso in­dis­pen­sável que se saiba o que cada can­di­dato ou cada força pensa e de­fende.

Mas para isso é pre­ciso, por um lado, ter um pro­jecto que cor­res­ponda aos in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo, ter pro­postas que não seja ne­ces­sário es­conder. Bas­tará lem­brar que se PSD/​CDS ti­vessem dito ao povo por­tu­guês quais eram os seus reais ob­jec­tivos nas elei­ções de 2011 se­gu­ra­mente não te­riam os votos que aca­baram por ter. E que Mar­celo Re­belo de Sousa (mas não só!) gasta uma boa parte dos seus es­forços a es­conder as suas ver­da­deiras in­ten­ções. E não deixa de ser cu­rioso que os que criam tais di­fi­cul­dades ao povo, ao mesmo tempo que en­tre­garam de mão bei­jada rios de di­nheiro aos grandes grupos eco­nó­micos, cri­ti­quem agora os que se em­pe­nham em der­rotá-los, pelos gastos que fazem.

Por outro lado, para cum­prir esse dever é ne­ces­sário ter meios hu­manos e ma­te­riais. Esta é uma con­dição es­sen­cial par­ti­cu­lar­mente para um Par­tido como o nosso, que tem mi­lhares de ho­mens e mu­lheres dis­po­ní­veis para as­sumir a afir­mação e a de­fesa do seu pro­jecto.

A se­gunda é que se per­cebe que o grande ca­pital de­seje que estes exem­plos de par­ti­ci­pação po­pular sejam es­ba­tidos ao má­ximo, po­ten­ci­ando o amor­fismo e a re­sig­nação, e vin­cando a ideia de que a par­ti­ci­pação se deve re­sumir ao mo­mento do voto. Nunca de­sis­tirão de criar di­fi­cul­dades a tudo o que lhes cheire a en­vol­vi­mento po­pular; não su­portam que ope­rá­rios, agri­cul­tores, pro­fes­sores, em­pre­gados do co­mércio, queiram ser, possam ser, obreiros dos seus des­tinos. Até porque, em pri­meiro lugar, querem ser eles a de­finir, nos seus di­rec­tó­rios, e a impor, por via dos grandes ór­gãos de co­mu­ni­cação so­cial (que detêm e in­flu­en­ciam), quem devem ser, em cada mo­mento, os eleitos para os re­pre­sen­tarem nos di­versos ór­gãos de poder.

Alargar o en­vol­vi­mento

A ter­ceira ano­tação é para, face à es­cassez de mo­bi­li­zação de al­guns dos can­di­datos a estas elei­ções, ma­ni­festar pi­e­dosa com­pre­ensão para que eles des­de­nhem das ac­ções de massas. Com­pre­ensão que se avo­luma pe­rante a força e a con­fi­ança que emana das ac­ções re­a­li­zadas pela nossa can­di­da­tura, a can­di­da­tura de Edgar Silva.

Si­tuemo-nos apenas nos grandes co­mí­cios dos dois do­mingos de cam­panha, as mai­ores ini­ci­a­tivas re­a­li­zadas nestas elei­ções. Co­men­ta­dores afectos a Mar­celo e ou­tros de­fen­sores en­car­tados da po­lí­tica de di­reita podem fazer de conta que não vêem os mi­lhares de ho­mens e mu­lheres que na­quelas duas gran­di­osas ini­ci­a­tivas se jun­taram para apoiar Edgar Silva e que são apenas a montra dos muitos que, todos os dias, nas em­presas, nas praças, nas feiras, nas ruas, nas es­colas de Norte a Sul do País, se em­pe­nham na de­fesa do seu can­di­dato e do pro­jecto que ele per­so­ni­fica.

Para eles, as uvas estão verdes. Para nós, estes dias que faltam até às elei­ções serão de grande azá­fama no con­tacto com os tra­ba­lha­dores e o povo. E, ao ar­repio das te­o­rias e dos te­o­ri­za­dores, vamos até o mo­mento do voto alargar este mo­vi­mento de en­vol­vi­mento e par­ti­ci­pação po­pular, vamos ga­rantir que, pela sua acção e pela sua von­tade, e não apenas pelo seu voto, cada homem, cada mu­lher conta para mudar os des­tinos do seu país.

O Pre­si­dente da Re­pú­blica ju­rará de­fender, cum­prir e fazer cum­prir a Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa, a mesma que con­si­dera como ta­refa fun­da­mental do Es­tado «de­fender a de­mo­cracia po­lí­tica, as­se­gurar e in­cen­tivar a par­ti­ci­pação de­mo­crá­tica dos ci­da­dãos na re­so­lução dos pro­blemas na­ci­o­nais», num quadro em que «todos os ci­da­dãos têm o di­reito de tomar parte na vida po­lí­tica e na di­recção dos as­suntos pú­blicos do País». Só mesmo nós, só a can­di­da­tura de Edgar Silva, es­tamos em con­di­ções de, pela prá­tica, a de­fender e afirmar os va­lores de Abril.

 



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